Cartão de crédito tem juros simples ou compostos? A gente explica!

Não queremos assustar ninguém com a pergunta, mas precisamos saber antes de mais nada… Você compreende bem a diferença entre juros simples e compostos? Saberia calcular cada um deles?

Se a resposta for não, não se preocupe.

É normal ter dúvidas sobre isso, já que o assunto é um pouco complicado e ninguém faz muita questão que você entenda sobre ele –  afinal, o desconhecimento ajuda diversas instituições a lucrarem muito com os cartões de crédito.

E não é exagero: pesquisas apontam que 76% das famílias brasileiras endividadas estão nessa situação justamente por causa do cartão de crédito.

Esperamos que este não seja o seu caso, mas nunca é demais compreender direitinho como funciona o sistema para evitar riscos, certo?

Então veja a seguir as diferenças entre juros simples e juros compostos e entenda de uma vez por todas como funciona a cobrança do seu cartão de crédito, para não se meter em “frias” por causa dele:

 

O perigo de o cartão de crédito não ter juros simples (mas, sim, compostos)

Antes de mais nada, vamos entender bem a diferença entre juros simples e compostos e como eles se aplicam ao cartão de crédito.

Conceitualmente, juros é a quantia que remunera um credor (quem tem dinheiro para emprestar) pelo uso do dinheiro por parte de um devedor (quem precisa de dinheiro)  durante determinado período.

Traduzindo para a vida real: quando você faz uma compra no cartão de crédito, você pega o dinheiro do banco emprestado, com a condição de devolvê-lo no dia em que a sua fatura vencer. Se você não honrar o pagamento dentro desse prazo, o banco passa a cobrar certo valor para compensar o atraso – ou seja, passa a cobrar juros.

 

Como funcionaria o juros simples aplicado ao cartão de crédito

Se os juros cobrados pelo cartão de crédito fossem simples, o valor do juros não aumentaria com o tempo.

Assim, se você ficasse devendo 300 reais de determinada fatura para um cartão com juros simples de 10% ao mês, após três meses você estaria devendo 90 reais de juros (totalizando uma dívida de R$ 390,00), já que, a cada mês, sua dívida aumentaria em R$ 30,00 (10% de R$ 300,00).

Se você gosta de fórmulas, o cálculo acima pode ser representado como Juros simples = capital inicial x taxa de juros x tempo (R$ 300,00 x 0,1/mês x 3 meses = R$ 90,00).

A grande questão é que, no Brasil, os cartões de crédito não funcionam dessa forma. Na verdade, eles trabalham com juros compostos.

Como funciona o juros composto aplicado ao cartão de crédito

No caso dos juros compostos, aquela taxa de juros que comentamos acima (10% ao mês) vai sendo aplicada sempre em relação ao valor total que você deve, e não à quantia que inicialmente foi emprestada pelo banco.

Voltando para o exemplo anterior: se você não pagar os R$ 300,00 que ficou devendo na fatura no primeiro mês, sua dívida passará a ser de R$ 330,00.

E aí, quando essa dívida completar dois meses em atraso, os 10% de taxa serão calculados em cima do 330 reais devidos – e não dos R$ 300,00 iniciais -, totalizando uma dívida de R$ 363,00.  

Se você achou que a diferença foi pouca, veja só esse comparativo:

Juros Simples Juros Compostos
Mês 1 R$ 30,00 R$ 30,00
Mês 2 R$ 60,00 R$ 63,00
Mês 3 R$ 90,00 R$ 99,30
Mês 4 R$ 120,00 R$ 139,23
Mês 5 R$ 150,00 R$ 183,15
Mês 6 R$ 180,00 R$ 231,47
Mês 7 R$ 210,00 R$ 284,62
Mês 8 R$ 240,00 R$ 343,08
Mês 9 R$ 270,00 R$ 407,38
Mês 10 R$ 300,00 R$ 478,12
Mês 11 R$ 330,00 R$ 555,94
Mês 12 R$ 360,00 R$ 641,53

Agora você consegue perceber o efeito bola de neve gerado pelo uso de cartão de crédito, que tem juros compostos (e não simples)?

[ecp code=”Geral”]

Isso tudo é possível, principalmente, porque a indústria de cartões de crédito no Brasil não é regulamentada pelo governo, o que permite que as administradoras cobrem a taxa que desejarem.

Com o poder concentrado em poucas operadoras, os consumidores ficam reféns do sistema – e pagam mais caro por tudo que compram.

Ah! Para completar, alguns bancos ainda podem cobrar multas pelo atraso nos pagamentos da fatura, que também são acrescentados ao valor da dívida sobre o qual são calculados os juros compostos nos meses seguintes…

Então a nossa dica é: invista na sua educação financeira – ou então evite o cartão de crédito, para minimizar o risco de dívidas…

E se você quer saber se o seu nível atual de conhecimento sobre o assunto é capaz de lhe garantir a tão desejada segurança financeira, nossa sugestão final é que você faça nosso quiz “Quais as minhas chances de ser rica”. Você já tem algum palpite sobre o resultado?

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